O que o traçado eletrocardiográfico pode nos dizer sobre a saúde mental?
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Quoretech
September 28, 2020

Dor no peito, palpitação, falta de ar e desmaios são sintomas de alerta para um possível problema cardiológico que pode ameaçar a vida das pessoas. Queixas que de fato merecem toda atenção e cuidado dos médicos.

Mas proponho aqui uma reflexão: Damos a mesma atenção à mente das pessoas? Os sintomas descritos acima existem em diversos transtornos mentais. Há casos de depressão que provocam dor no peito, existe ansiedade que causa falta de ar e palpitação e muitas síndromes psicogênicas causam desmaio.

Pessoas com problemas do coração têm mais chances de desenvolver transtornos mentais, como depressão, ansiedade, pânico e, até mesmo, estresse pós traumático, bem como pessoas com esses transtornos mentais têm mais chances de adoecer do coração.

Digo mais, você sabia que o funcionamento de sua personalidade influencia sua saúde cardiológica? Pessoas com características muito agressivas ou nervosas (personalidade tipo A) e aquelas que apresentam muitos sentimentos negativos, mas inibem sua expressão (Personalidade tipo D), têm mais chances de desenvolver doenças coronarianas, acidente vascular cerebral e, inclusive arritmias?

É comum ouvirmos alguém dizer “estou com dor no peito de tanta emoção”, “morreu de desgosto”, “levou um susto e não acordou mais” etc. Recentemente, lembro até do pai de uma atleta ter morrido de “ataque cardíaco fulminante“ ao assistir pela televisão à sua filha ganhar a primeira medalha de prata do Brasil no mundial tênis de mesa Paraolímpico. Faleceu da cabeça ou do coração? A resposta certa é sempre dos dois.

Coração e mente estão ligados pelo Sistema Nervoso Autônomo (SNA), este equilibra-se entre o sistema nervoso simpático e parassimpático. Mensagens vão da respiração, coração e outras áreas do corpo para o cérebro e vice versa.

A verdade é que não se pode separar a saúde mental da saúde cardíaca. Ambas andam juntas - se uma não estiver boa, a outra também não estará. Por exemplo, um dos marcadores de estresse biológico da saúde física e mental é a variabilidade da frequência cardíaca (HRV), que mede o tônus do SNA, cujo padrão ouro de sua medida é feita pelo Holter de 24h. Pessoas com problemas cardiológicos podem apresentar alteração/diminuição da HRV, assim como pessoas com transtornos mentais.

O que dizer então do risco cardiovascular em pacientes que têm uma doença cardiológica crônica associada a um quadro depressivo? O que dizer da qualidade de vida dessa pessoa? Ademais, como garantir que uma pessoa deprimida esteja motivada o suficientemente para modificar estilo de vida e aderir adequadamente ao tratamento cardiológico proposto.

As respostas para as questões anteriores passam por uma abordagem médica integrativa. Por que o cardiologista pode deixar passar em branco o transtorno mental? Por que o psiquiatra pode negligenciar uma doença cardíaca de base?

Existe um descompasso na Medicina produzido lá atrás por Descartes quando ele separou, do ponto de vista filosófico, corpo e mente ao declarar “penso, logo existo” em 1633. Estamos navegando nesse equívoco ainda hoje.

Mas, inteligentes que somos e inspirados pelo fantástico neurocientista António Damásio em “O Erro de Descartes, Emoção, Razão e Cérebro Humano, de 1994, podemos pensar, rever, aprender e corrigir condutas que antes tínhamos como verdadeiras.

Por que não podemos utilizar os métodos diagnósticos eletrofisiológicos tradicionais para investigação de problemas cardíacos, como é o caso do Holter, por exemplo, para tentar descobrir se existe um problema de saúde mental subjacente?

Dor no peito, palpitação, falta de ar, desmaios são queixas cardiológicas e/ou psiquiátricas. Na maioria das vezes, os diagnósticos coexistem e poderiam ser percebidos precocemente, num único momento.


Como isso?

Podemos combinar tecnologia, inteligência artificial e conhecimento clínico para achar a solução. Na minha cabeça e nos meus estudos, isso será possível com a tecnologia que temos desenvolvido na Quoretech.

O que o traçado eletrocardiográfico captado em nossa nova técnica de Holter/Looper pode nos dizer sobre a saúde mental? Poderemos identificar casos de depressão, ansiedade e outros problemas psiquiátricos nos pacientes que sofrem de doenças cardíacas e que estarão com o device QuoreOne no peito?

Acredito que sim! Estamos evoluindo na tecnologia e nos estudos - tudo me parece bem viável. Caso tenhamos sucesso, conseguiremos abordar, de uma única vez, os dois grupos de doenças (mentais e cardiovasculares) que mais causam morbidade e mortalidade no mundo.

Infelizmente, Descartes não estará mais aqui para presenciar essa reintegração do corpo à mente. É bem provável que, para o bem da saúde, seja uma simples questão de tempo para nós médicos, pacientes e o próprio Damásio, sejamos testemunhas dessa realidade.


Victor Bigelli de Carvalho é psiquiatra formado pela Faculdade da Medicina da USP, estudioso da relação corpo e mente e entusiasta da tecnologia. CREMESP: 125.044

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